bandalhismo

Thursday, November 16, 2006

Alguma prosa II

Histoire du Portugal par sexu

[excertos representativos de T.]

Os Reis de Portigal

1- D. Afonso Henriques – o Conquistador (grande playboy) : bateu na mãe com a espada!
2- D. Sancho I – o Povoador: o seu lema era “ide e multiplicai-vos, tal como eu faço”!
6- D. Dinis – o Lavrador: está-se mesmo a ver a simbologia de todos aqueles pinheiros grandes e grossos.
9- D. Fernando – o Formoso: ninguém lhe resistia, mas ele tentava esquivar-se, de tal modo que só teve uma filha legítima.
16- D. Sebastião – o Desejado: todas o queriam, mas ele só queria os outros. Por isso mesmo foi o escol de intelectuais e de homens valentes para as Africas, onde acabou por se encantar por um grupo de soldados mouros, e foi com eles para um oásis no meio do Saara, onde foi muito… feliz…
17- D. Henrique – O Casto: oh sim, contem-nos histórias…
29- D. Pedro IV – O Rei Soldado, o Liberal: em batalha ou nos lençóis, empunhava sempre a espada com o mesmo fervor e potência, vencendo todos os obstáculos.
30- D. Miguel – o Absoluto – absolutamente apaixonado pelo irmão, D. Pedro IV, ao ver que nada conseguiria ter como ele, criou uma guerra civil para que os portugueses, incluindo ele, se lixassem com “f grande”…
31- D. Maria II – a Educadora: implementou a Educação Sexual, ao ver a história da monarquia era muito marcada por ela – ou pela falta dela.
33- D. Luís – o Popular: distribuía panfletos e revistas eróticas por aqueles que não tinham dinheiro para as prostitutas, tudo a favor da nação, para evitar violações e coisas do género.
34- D. Carlos – o Diplomata: foi assassinado por não distribuir as tais revistas e panfletos acima referidos, e por pintar senhoras nuas, sem as a partilhar – nem as senhoras, sem os quadros – com o resto da malta.

Batalhas

6- A Padeira de Aljubarrota meteu centenas de espanhóis no seu forno, no meio do pão, e bateu-lhes até ele se irem (ou virem, depende da perspectiva)!
8- A Batalha de Alcácer-Quibir, com já acima se disse, resultou da vontade de conhecer outras gentes, outros corpos, posições, técnicos,… D. Sebastião sentiu na pele esses novos conhecimentos – e não mais quis voltar. Fingiu a sua morte, pensando que em Portugal tudo se iria resolver pelo melhor. Ficou muito triste quando soube que os portugueses continuavam à espera dele, que ele regressasse montado (?) num cavalo num dia de nevoeiro…

Escritores

22- Mário de Sá-Carneiro não aguentou a notícia. Amava profundamente Fernando Pessoa e não aguentou saber que este além de Ofélia, andava a comer o António Botto, mais novo, mais magro, mais bonito, mais fresco. Por isso se suicidou. Almada Negreiros sabia de todas estas paixões, mas nunca meteu a colher (nem mais nada) no meio do assunto, andava mais interessado em lixar com “f grande” o Dantas, pim!

Estado Novo

6- As atitudes e vontades de Salazar nasceram, foi já confirmado por sexólogos experientes, de uma enorme frustração sexual latente, de complexos nunca bem resolvidos, de estudo de Direito (muito centrado nos estudos, sem ver o outro lado da vida), tendo de recorrer frequentemente à masturbação para resolver algumas das tensões mais preocupantes. Dominar um país foi a única maneira que arranjou para solucionar os seus complexos, mas a frustração sexual continuou. Daí que tenha querido tornas todos os portugueses em sexualmente disfuncionais, atirando-lhes com a Igreja conservadora para cima.

Igreja

1- Ninguém pode negar o importantíssimo papel que o clero teve no povoamento e ordenamento do território nacional, continental e outros. Onde era necessária população, lá estavam eles, de missal e espadas na mão, prontos a dar os seus contributos/atributos.
13- O Inquisidor – Mor estava debaixo da… chamemos-lhe, simplesmente, Cármen, quando o frei Heitor irrompeu pelo quarto a dentro, chamando por ele. Visivelmente irritado, perguntou-lhe o que queria. Tinham prendido finalmente o tal cristão-novo que tinha uma enorme quinta lá para os lados de Setúbal. Já mais satisfeito, compôs-se e saiu porta fora. Frei Heitor olhou para Cármen e, já que ali estavam, saltou-lhe para cima…

Alguma prosa I



Lili, romance da vadiação

[excerto representativo do romance de T., cap. XIX, p.869]

Joana achava-o grande. Lili tinha-a avisado, dizendo que era enorme, maior que a Serra da Estrela. No entanto, Joana já tinha visto maiores e mais grossos. Lembrava-se de uma altura, quando completamente extasiada, saíra com umas colegas, para comprar amendoins. Efectivement, estes amendoins eram very cheaps, so, they where out the prezeite de validatum. Tinha sido uma má situation, mais tout se resolveu. De facto era big. Joana pensava no tal que tinha visto como sendo o the biggest, nem os M&N’s poderiam ter um maior. Mas, subitamente, agaisnt all the expectativas, a Serra da Estrela começou a fomentar-se, cobrir-se de neve.. Pareciam os Himalaias! Subitement elle a été molhada – nada de mais!

T.


Escritor maior do Bandalhismo na prosa, da qual se destacam “Lili: o romance da vadiação” e “Histoire du Portugal par sexu”. T. também se destacou na poesia sendo o seu maior nome masculino de sempre. Na sua poesia surgem veemente as figuras de Orlandé e Pig: suas relações sexuais, traições, contradições. Mas surgem também outras figuras, como Sig ou uma interioridade de sujeito próprio (veja-se “Não me interessam beijos, carícias”, por exemplo). Poeta ainda das reflexões gerais sobre o sexo, é, no entanto, notável pela musicalidade de algumas composições, dada sobretudo pela rima e a mistura propositada de línguas: Inglês, Espanhol, Francês – além do Português, a língua base. Destacam-se ainda o humor, a masturbação, o sonho erótico… Tal como L., T. construiu também poemas a partir de poemas já existentes, numa prática intertextual de aproveitamento de ritmos e musicalidades ligeiramente destruídas, criando a sensação de absurdo e ridículo, por vezes: “O Sexo” a partir de “O Sonho” de Sebastião da Gama, “Pedra Sexual” a partir de “Pedra Filosofal” de António Gedeão e “O sexo é feito de fodas” a partir de “Bucólica” de Miguel Torga, além da adaptação de diversas formas populares, como quadras e provérbios.
Além dos poemas referidos, foram escolhidos outros importantes dentro da corrente estética e que representam bem a obra do autor.


Quel bel jour
Aquele em que o Orlandé
Ia alegre, vitement
Because pig
Lhe a fait un broché!

*

L’absurde de Orlandé

Que fait-tu
When you fell he water
Caindo pelas tuas pernas?

Que fait-elle
When she fels the water
Caindo no sue rego?

C’est absurde que tu,
Vindo-te sobre ela,
Em vez de te calares.
Grites por outro nome.

*

Ar – estás cheio dele dentro de ti
Água – mete-la, já que não te deixam meter mais nada
Fogo – está baixo, sem potência
Terra -serve para o tapares, quando não to deixam enfiar

*

Subitement algo ficou molhado
Nada demais!
It was o amendoim safado
Que não tinha aguentado mais!

Mas, o preservativo rompeu
Algo tinha corrido mal
A Pig logo lhe gemeu
“Ai a taxa de babies em Portugal!”

Orlandé, suspirando, resmungou:
“Deixa lá filha, acontece!”
E, vitement acrescentou:
“Deixa enfiar se não a pila adoece!”

*

Sensações de Pig

Quando ele se aproxima de mim
I feel my corpo falling in aqua,
Porque sei que me vai molhar
Mal ligue a mangueira!

As minhas maçãs red estremecem
Os meus lábios abrem-se
Esperando for néctar divino
Et pour amendoim!
Então when ele fucks moi
And eu fuck il
I sinto um big calor dentro de mim
Et big humidade leitosa!

*

Pig:
- Oh, mon dieu!
Como é possível tal assombração!
Algo percorre o meu corpo
Como nunca nada o havia feito,
I fell it all em mim,
Possuindo-me, abrasando-me,
Consumindo todo o êntase
Que me resta no espírito.
Penetra-me, uma vez mais,
Percorrendo as minhas entranhas,
Com a língua, com os dedos,
Com o quiseres!
Transcende tudo isto e
Eleva-me para o tecto!

*

Big

Que semelhanças incríveis
Já encontro com os Himalaias
É extremamente Big
De toques muito atingíveis
Que assustavam até as aias
E logo, a correndo, vem(-se) a Pig
Ao ver a neve a cair
Cai ela então, de prazer
Só por o chumaço ver
A sua esporra começa a sair…

*

Quadras Populares Adaptadas ao Bandalhismo

I
Dizem que o love
Pode fazer mravilhas
But eu não vi outra coisa
Senão filhos e filhas.

II
A vida é um deserto
Que tens de atravessar
Mais a camela da gaja
Que te acompanhar.

III
Julgaste-me paneleiro,
Mas afinal quem és tu?
És a tampa da sanita
Onde todos põem o cu.

IV
Ontem à noite eu sonhei
Com a nossa Neusa.
De manhã, quando acordei
Estava com a vela acesa.

V
Passei à tua porta,
Cheirou-me a bacalhau frito;
Espreitei pela fechadura:
Estavas a levar no pito.

VI
Ao passar à tua porta,
Cheirou-me a bacalhau cru;
Espreitei pela fechadura:
Estavas a levar no… joelho.

*

Sonho Erótico

Pig s’á masturbé
Orlandé viu tudo
Il s’á masturbé subitement!

Entretanto, na sua bed
Algo ficava molhado
Os boxers estavam encharcados!

É incompreensível que
Depois de tanto pinanço
Ainda te consigas vir-te com um sonho erótico!

*

Pedra Sexual

Eles sabem que o sexo
É a constante da vida
Tão concreta e definida
Como nenhum coisa qualquer.
Como esta cama cinzenta
Em que te deitas e Pinas.
Como este vibrador bravo
Em serenos movimentos,
Como estes pénis grandes
Que em beije e branco se agitam,
Como estas gajas que gritam
Em bebedeira de leite.

[…]

Eles não sabem nem fodem
Que o sexo comanda a vida.
Que sempre que um homem fode
O mundo pula e avança
Como um jacto forte
Entre os lábios de uma gaja.

*

O sexo é feito de fodas
De grandes velas duras
À espera de movimento;
De novas coberturas
Do vento;

De tocas abertas
Saídas e com sinais
De outras marradas cobertas
Pelo “zigzag”;

De leite
De saída e entrada
De ver esta maravilha:
O mastro deixá-la arrombada
Quando se esvaem em forquilha.

*

O sexo

Pelo sexo é que vamos,
Excitados e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
Pelo sexo é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança no tamanho
Que talvez não teremos.
Basta que o leite demos
Com a mesma alegria,
Ao que desconhecemos
E que fodemos no dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
Começamos, pinamos, vimo-nos.

*

Pig traída

Quantas vezes me deixaste só
Noites de tormento,
Secas e sem tesão
Que me dá razão para viver?
Como podes fazer-me tal?
Disseram-me kandavas com outra,
Com a minha prima Sig!
É verdade?
Não posso crer!
Como podes deixar de me querer
De me foder ininterruptamente?
Eu sou tua coca
Mais, eu sou a tua cona…

Vem(-te) até mim.
Eu preciso de sentir essa mangueira
Todo esse silicone dentro de mim.
Não me abandones
Trai-me à vontade,
Com quem kiseres
Desde que me satisfaças
Eternamente…

*

Não me interessam beijos, carícias
Essas tretas todas.
Tenho tudo o que preciso aqui entre as mãos
Ele, que é como um vulcão em erupção,
Destrói com uam só marrada
Todas as florestas que o tentarem…

*

Menino e Moço
Me brocaram em casa de meus pais
Qual a razão de tal pinaço
Não no soube nunca mais!

*

A noite foi made para brocar
E experimentar coisas loucas
Brocar, furar, comer, sem parar
E fazer cousas bué da boas.

*

Amor de mi vida
Nada me faz esquecer-te…
Tocas-me profundo na alma
Oh, si, caniño
Não pares
Imagina o que podes ganhar!

Junta teu corpo ao meu
Oh, si, cariño
Solta-te e vem até mim
…e…

L.


Nome máximo da poesia bandalhista, de cariz feminino e universal, L. constitui a sua poesia nos princípios reguladores da corrente, adaptando-os à sua própria forma de expressão. Por exemplo, o uso de línguas misturadas vai desaparecendo ao longo da sua produção poética, embora no início seja um dos pontos mais importantes da sua veemência escrita. O Francês e o Inglês dão lugar ao uso exclusivo do Português, embora este se apresente frequentemente alterado em relação às normas vigentes, apresentado construções sintácticas alternativas e erros de ortografia procurados e provocados, numa atitude radical de desorganização do mundo instituído, a que não é alheio o uso de palavrões e do calão.
Da sua vasta obra poética, a maior desta corrente, seleccionámos os poemas que melhor representam as principais linhas de força da poetisa, nos quais se destacam os conselhos sexuais, o humor, a crítica e a sátira, a relação homem-mulher, a procura do homem que a satisfaça, o sexo, negando o tema do Orlandé e da Pig, pelo menos aparentemente (veja-se o acróstico “Oh como é bom ter-te aqui”). De destacar também o uso da intertextualidade com textos da tradição literária portuguesa bem conhecidos por todos, prática comum ao autor T., por ela parodiados e reescritos: “Vermelhos são os tomates” reescreve o início de “Verdes são os campos” de Luís de Camões, “As putas e os canhões amestrados” parodia a estrutura e o estilo da “Proposição” de Os Lusíadas, e “Ó cona menstruada, quanto do teu sangue” baseia-se no poema da Mensagem, de Fernando Pessoa, “Mar Português”.


Vive a vida alegremente,
Alegremente com bates uma punheta
Aquece o leite, vivamente
In a croissant avec butter
Ne te importes pas with they say
Pois o que digo je dit três heureux
Et com a boca aberta.
Aproveita, filho, ne c’est pás
Todos os dias.

*

ABundância

Que fazes aqui?
Vens uma vez more
Consumar nosso amour
Que queres que faça mais
Já te amei por trás, pela frente
Em baixo, de lado,
Já te vieste in my cue,
In my vagina, na ma mouth
Que queres mais?
Já te dei tudo
Meu corpo está cansado,
Mas my spirit
Anseia por eat you
My expanador de tigela e meia.
Mamas-me como
Ninguém e eu
Não quero lose you
Fuck me, si vous plait!

*

Assim que pus my eyes
No volume das tuas calças
I felt que também algo
Crescia em moi men
Olhei de novo
Mais… algo se passava
Já no via toi
I look for you desesperadamente
When I felt que someone
Me penetrava por trás
Para alegria minha
Fodias bué da bem
Entonce olhei para trás when
Reparei qie já não me
Fodias por trás but sim pela fronte.
Entonce mandaste-me
Chupar-te o pau
And I chupei, lambi,
And voltei a introduzi-lo
In my vagina e
Fodeste-me com vigor.
Quase arrombada com tanta foda dada
Pedi para que me chupasses
O grelo e assobiasses
With it.

*

Vermelhos são os tomates
Da cor dos tições
Assim são as bolas
Dos teus quilhões…

*

Oh! Como sou feliz
Contigo aqui atrás de mim
Sim, põe-me as mãos
Nas costas e coça-me
Com força, muita força
Até sangrar.

Oh! Como estou feliz
E consolada
Possui-me agora a fronte
Vem-te, vem até mim
Abre teu espírito
E o que mais quiseres
Ama-me, até fecharmos
Os olhos e adormecermos
Extasiados de tanto
Amor darmos um ao outro.

Oh! Como te mamo
Vá, grita de pavor
Enquanto canto.

Oh! Como gosto de cantar
Para ti e sobes pelas paredes
Porque te amo
Sem pudores, nem moral.

*

Tira-me as caucinhas
Mandas-me uma quequinha
Atiras-me contra a parede
E fodamos de pé!
Faço o pino e tu
Bates claras em castelo.
Procuro-te o mastro
Faço-to erguer e
Toco à corneta.

*

As putas e os canhões amestrados,
Que do longínquo virgem Lusitano
Por picas nunca dantes eriçados
Passaram ainda além do puritano,
E em castigos e prazeres descontrolados
Mais do que podia o tesão humano
E entre pernas abertas consolaram
A mais nova puta que tão bem fuderam.

*

Ó cona menstruada, quanto do teu sangue
É de sabor a marisco
Por te fodermos, quantos gajos se excitaram
Quantos tampões em vão foram postos
Quantas putas ficaram por foder
Para que fosses lambida, ó cona!

Valeu a foda? Tudo vale a pela
Se a pica não é pequena.
Quem quer pagar a um brochador
Tem que pagar também ao pinador
Deus à puta e a ti o prazer deu
Mas em ti é que ele se montou.

*

cama, cama, cama
com est good
ser-se dida num alit

cama, cama, cama,
haverá um better lugar
para se ser fundida
brocada, minada,
encavada, sugada,
mocada, pincelada?

Há!
O bathroom, o toit,
A máquina de secar
O phrigorifique, a despensa
O lift, a table, o carro
A cuisine, a baignoire
O hall, a varanda,
O garden, a sala,
O roof, o bereaux…

Todos os locais são bons
Desde que seja fodida por ti.

*

Oh que bom é ter-te aqui
Rasga-me a roupa
Lambe-me o grelo
Amordaça-me a boca
Nica-me as nádegas
Dilacera-me com beijos
Ostenta todo o fervor.

Beija-me os seios
Arromba-me com força
Ris-te pois achas muito
Bonito quando eu digo que
O teu material é o melhor (do mercado)
Só tu é que sabes como
Arrombar com uma gaja.

Levas-me para o quarto
Atiras-me para cima da cama
Nada te faz parar
Deitas-te em cima de mim
Inspiras um pouco de coca
Nunca fui tão bem fodida
Habilmente penetras-me a cona
Oh como és bom fodilhão!

*

Acaricio ton body
Start pela pussy
E acabo aussi na pussy
Oh… I wanto-a tanto
Desejo possui-la
Mon maimbro biril
Já fell du snague
Ir e vir pelas veias.
Ton armonas
Atingem o climáximo;
Ton clitóris
E mon penis
Já hurt de tanto
Time estarem de pé
E finalmente banho-me
In, out, on
De ton bajaina.

*

No vaguear da noite
Pairava um cheiro
Inconfundível a prazer
E em cada esquina
Uma sombra se
Mexia devagar.
Agora vejo um rosto
Transparecer em meu olhar
Recordo teus lábios
Sobre meu peito
A caminhar.
Sinto umas mãos
A percorrer os
Locais obscuros
Do meu corpo.

Amanheceu e eu acordei
O desejo desvaneceu-se
Mas ainda sinto
O prazer que me marcaste
No meu húmido corpo
Só de o recordar.

*

Sinto este prazer louco
Que me deixa desvairada
Esse teu perfume
Provoca em mim
Delírios de prazer.
Já não aguento mais,
Não quero esperar
Imploro ao vento ajuda.
Quero que chego o momento
Em que te possa gemer
Aos ouvidos.
Não quero pensar
Não quero parar
Apenas sentir-te
Em mim,
E ver que finalmente
O nosso ritual de amor
Culminou num
Lindo e selvagem
Orgasmo múltiplo.

*

Sexo:
Revela sentimentos
Que acalmam e libertam
A chama que se
Esconde no corpo das beatas
E trás vida às viúvas.

*

Procurei noutros
O orgasmo perfeito
Mas só encontrei
Desilusões
Até que a ti
Me entreguei
Só tu sabes
Como satisfazer-me
Ninguém é
Melhor que tu
Na arte de abrir
Pernas,
E fazer com que
O meu desejo
Se torne realidade
Só te desejo a ti
Só tu sabes
A melhor forma
De dar uma
Boa Queca.

*

Amor!
Quero-te para apagares este fogo
Que arde em mim,
Para acalmares este pulsar
Que se agita e não me deixa dormir.

Meu corpo precisa do teu
Para matar a fome que sente.
Corre, vem até mim
Prometo que deixarei os ossos
Para outra chupar.

*

Foder!
Uma atracção que te une
Que te faz vibrar,
Enlouquecer e renascer.
Foder!
Com a força
Que nasce e
Rebenta como um vulcão.
Foder!
Quando se fode
Parece que o tempo não escorre
Que o sol não volta a nascer
Que nunca é mais é amanhã
Que nunca mais voltas a foder!

*

Quantas posições tem o sexo?
68, pois a 69 é para limpar as ferramentas.

*

Puxe
Energicamente
N
I
S

*

A doença do sexo é deveras estimulante
Foderás uma só mulher
Mas arrombarás todas as outras.
Triste é o destino do homem excitado:
Bater à punheta como um louco
Para recordar breves momentos
Onde pode reconhecer o reflexo enganador
Daquela foda bem dada.

Thursday, July 06, 2006

M.


Não é dos autores mais produtivos mas foi também essencial para a divulgação do Bandalhismo. Da sua pequena produção salienta-se o uso das línguas misturadas (Português, Latim, Inglês e Francês), muitas vezes deturpadas. A sua atenção centra-se no muso inspirador e despoletador da corrente: Orlandé e sua paixão imortal/imoral: Pig. Descreve situações de encontro entre os dois e o efeito que Pig consegue em Orlandé, a necessidade da masturbação frequente, sempre pontuado com um tom humorístico e paródico, pontuado por vezes com um fino non sense:



Orlando está alone
When she sentiu
One manus in canus.
He sentiu aquilo like
One big Pig coisa,
Il se masturbé subitment.

*

Orlandé s’a munstrué
Because he viu a Pig.
Ea pulchra erat
Suus amendoim parvus erat,
Mais it cresceu
Avec le effect the Pig.

Big Orlander trauma
Orlando n’aime pas abdominals
Mas il fait flexões like an master,
It’s the fruit do pinanço que…
Il n’avait pas.
Vous êtes heurex quando :
Tuus manus calus habent
De tocares flauta à noite.

N.



Sendo um elemento outsider ao essencial do movimento não deixa, no entanto, de ser essencial para a definição e construção do Bandalhismo, pela troca de ideias e inspiração, sendo a segunda voz feminina mais importante nesse trabalho. Escreveu apenas um poema do qual muito se disse e escreveu, sendo o comentário mais feliz aquele que diz que “Augusto Gil viu-se reabilitado para os dias de hoje subitamente, pela criação de um poema de indefinível leveza e musicalidade, onde a mestria não é alheia à própria estrutura do poema anterior”. (TL, 2002). Aqui fica o poema:

Bate leve, levemente
Como quem chama por mim
Será leite, será quente
Esperma é certamente
É punheta até ao fim!

A obra-prima do Bandalhismo


O primeiro poema bandalhista, considerado por todos os autores e teóricos como a obra-prima desta corrente literária, foi escrito por L. e T., numa tarde de inspiração. O assunto principal é a menstruação de Orlandé e, seguidamente, o acto de escrita que este iniciou então com Tania, o Deitaleitismo, por oposição e reacção contra o Bandalhismo. O poema começa com uma localização do sujeito observador perante uma aparição que despoleta a reflexão interior e filosófica, pontuada pela isotopia do vermelho, que é a cor principal do movimento, além do branco: um elemento natural positivo (o morango) e um elemento artificial e negativo (um benfiquista), que sucumbem perante o reconhecimento atónito de que se trata da menstruação de Orlando. A segunda estrofe localiza a acção numa tenda, onde o acto é sexual é conotado como negativo ou possivelmente perigoso. Na verdade, se o sexo é visto como regenerador pelos autores, também é visto como indigno de ser praticado por aqueles que não foram escolhidos para o executar correctamente: “só se morre “engasgaita” se se for muito totó” (T. 2005). O tom é irónico, humorístico, valendo-se do Inglês, do Francês e do Latim como complementos do Português, o que dá um toque mais subtil de literariedade ao texto.

Viu-se ao longe uma mancha red.
O que será aquilo?
Será um morango,
Será um benfiquista?
Oh, non! C’est Orlando, menstrué!

In tendam avec Tania,
Foderendo avec oriços caxiers;
Tania batia, batia fortemente
Batia-lhe no amendoim
Atenção! Suspenso…
Ela morreu engasgaita!

Introdução

Este é o fruto de um árduo trabalho de procura e de selecção das melhores poesias Bandalhistas da história da Humanidade. L., T., M., e N. são os principais poetas incluídos nesta colectânea.
O Bandalhismo é um movimento nascido em Fevereiro de 2001. É no fundo um movimento que defende a mistura de tudo e de todos, sem preconceitos e limites, a não ser a inteligibilidade. Defende o uso do sexo como uma forma de regeneração da vida, do corpo e da mente. Houve autores que adoptaram estas ideias ao seu próprio modo de escrita, aos seus temas, às suas formas de expressão, às suas vivências. Assim, típico destes autores é a mistura de línguas, a ocorrência de muitos erros ortográficos e a intertextualidade, entre outras coisas que lhe serão agradáveis de descobrir. O muso inspirador é Orlandé e suas relações com Pig.
Além dos textos em si, também se incluem pequenos estudos sobre os autores e sua obra e sobre a corrente estética.
O conteúdo deste blog pode causas graves de saúde e na decoração da sua casa…